Apresentações: O poder do silêncio.

Benito Juarez foi o primeiro presidente eleito democraticamente no México que não era um ditador. Com pouco mais de 1,5m de altura, Juarez era descendente direto de povos indígenas, num país onde toda a aristocracia era hispânica.

Quando lançou sua candidatura aos 26 anos de idade, sua altura e origem imediatamente viraram alvo de perseguição de seus adversários, questionando suas habilidades como líder e satirizando-o quando este subiu ao palanque para seu primeiro discurso de campanha. Contudo, sabendo da sua condição, Juarez desenvolveu uma das mais poderosas técnicas para atrair a atenção do seu público: o silêncio.

Quando discursava perante uma plateia difícil, Juarez iniciava seu discurso permanecendo em média 15 segundos calado. Nesse tempo ele percorria seu olhar penetrante pela sala, olhando nos olhos de seus adversários. Seja por curiosidade ou por constrangimento, o resultado era uma onda de silêncio que tomava o ambiente e todos os presentes prestando atenção àquele homem tão controverso para os padrões da época. O resultado foi a vitória nas urnas.

O silêncio, sempre tão ignorado, é um poderoso aliado do apresentador. Quando utilizado no início da apresentação ele rapidamente atrai a atenção do seu público, gerando uma grande expectativa sobre suas primeiras palavras (que terão um grande impacto se forem bem elaboradas). Em plateias difíceis – aquelas que conversam muito ou falam ao celular – o silêncio surte um forte abalo psicológico, seguido pelo sentimento de culpa, especialmente se junto a ele o apresentador agregar um penetrante contato visual, atraindo para si a atenção num inconsciente “pedido de desculpas” dos seus ouvintes.

Além da atenção, existem outros benefícios que a pausa proporciona na comunicação.

Enquanto em silêncio, é possível relembrar suas próximas falas, comunicando-as com mais naturalidade e reduzindo a possibilidade de erros. Ainda nesse tópico, a pausa também é uma excelente substituta às tão irritantes muletas de linguagem – aqueles “hã” “é” “hum” que dizemos quando não lembramos ou improvisamos nossa fala.

Quando uma apresentação é aberta às perguntas, o silêncio (mais curto nesse caso do que na abertura) permite que o apresentador absorve e interprete com calma o que lhe foi perguntado, além de mentalmente começar a elaborar uma resposta que certamente será mais clara, direta e impactante do que algo respondido de imediato.

Mas se o silêncio é tão poderoso, por que é pouco utilizado? Basicamente, existem duas razões:

  1. Poucos apresentadores conhecem sua eficiência e simplesmente nem consideram encaixá-la na transmissão de sua mensagem;
  2. Quem fala diante de outras pessoas tende a ter uma percepção sobre o silêncio muito diferente de seu público. Enquanto o último muitas vezes nem nota a pausa ou vê suas expectativas quanto ao conteúdo do apresentador crescerem, este tende a considerar que qualquer pausa, por menor que seja, dura um longo período e pode passar uma sensação de despreparo, quando na verdade é o oposto que ocorre.

Na sua próxima apresentação, faça o teste:  ao invés de iniciar falando, utilize do silêncio para atrair a atenção e gerar a expectativa em seu público. Não precisa ser algo tão longo como os 15 segundos de Juarez, mas um tempo em que você se sinta confortável. O resultado será imediato e sua eficiência como apresentador só tende a crescer.